4 Dicas para seu cão parar de puxar no passeio

Nunca Desista do prazer de passear com seu cão!
Passear com o seu cão deve, antes de tudo, ser uma atividade prazerosa para ambos. Os cães precisam sair um pouco do ambiente onde moram, pois, além de ser excelente para a saúde, no aspecto físico, é também fundamental na questão psicológica já que, ao passearem, eles se deparam com outros cheiros, e esse contato é ótimo para aliviar o estresse e garantir uma qualidade de vida muito melhor para o nosso amigo.

Porém, é preciso também ser prazeroso para os donos, pois os cães que puxam demais acabam tornando o passeio uma atividade nada agradável. Mas o pior é que para muitos tutores isso é verdade. Só de pensar em passear com o peludo, já sentem dor no braço, nas costas, a palma da mão queimando da guia, os puxões etc.
Haja condicionamento clássico nessa hora! Vou explicar o que é isso, pois vai ajudar a entender os problemas de passeio. De forma simples, condicionamento clássico acontece quando duas situações distintas, mas que acontecem ao mesmo tempo, acabam disparando uma reação automática do ser – pessoa ou animal –, um “reflexo condicionado”.
Então, o que podemos fazer para treinar o cão e tratar os problemas no passeio – e enfim, mudar esse condicionamento, de algo terrível para algo prazeroso?
Primeiro, não vamos treinar o cão quando ele já está totalmente fora de controle. Uma adestradora de que gosto muito diz a seguinte frase: “Não dá para gente ensinar álgebra em uma montanha-russa”. Ou seja, não dá para tentar ensinar nada para alguém durante uma situação tensa, estressante e estimulante. Precisamos começar do básico, do mais fácil para o mais difícil.
Comece em casa! Vamos começar diariamente, dentro de casa, mostrando para o cachorro como o passeio deve acontecer: de coleira e guia, posicione o cachorro do seu lado, onde a guia esteja frouxa (não tensione ou encurte a guia). Dê dois passinhos e, se o cachorro acompanhar com a guia frouxa, dê um petisco para recompensar. Comece na sala, vá até a cozinha e se ele continuar focado em você e no petisco, comece a ir para fora. Se ele ficar muito excitado, retroceda.
Esse passo vai ensinar para o cão duas coisas importantes: a posição que ele deve ficar durante o passeio e que não há motivos para ele ficar totalmente descontrolado cada vez que colocar a coleira, pois essa é uma situação totalmente calma e corriqueira.
Lembra-se do condicionamento clássico? Ele aparece nesse passo inicial do passeio, ou seja, na saída. O cão já está tão condicionado a sair maluco e puxando a guia no passeio, que só de vestir (ou olhar!) a coleira, já fica doidão e sai do controle. Por isso, essa etapa precisa ser feita com paciência, para começarmos a alterar o comportamento.
Feito isso, passamos agora para a rua – horário calmo, sem muitos estímulos. Faça o mesmo processo acima, só que agora vai ser mais complicado, pois na rua há mais distrações. Por isso, o ideal é treinar com o cão em um momento onde ele esteja com apetite e levando um petisco irresistível. Use o horário da refeição e a própria ração, por que não?
Já na rua, se o cão começar a puxar para chegar em algum lugar, use a frustração – simplesmente pare imediatamente de andar. Dica importante: cole a mão que segura a guia junto ao corpo, assim, quando parar de andar, o cachorro não vai ganhar nem um centímetro a mais do seu braço sendo esticado! Será ainda mais frustrante para ele realizar o puxão.
Aguarde o cão se tocar: “Pô, que saco! Por que ele parou?”. Quando o cão afrouxar a guia, olhando de volta para você, volte a andar. Se ele não se tocar, dê uma ajuda – bata na perna, chamando-o e o colocando de volta na posição certa, e aí continue o passeio. Outra dica boa é simplesmente virar para o lado oposto ao que o cão puxou. Teste e veja o que funciona com o seu cão, pois não tem “receita de bolo” que funcione igual para todos nessa hora.
Quando o cachorro estiver andando do seu lado com a guia frouxa, ELOGIE MUITO!! Fale com ele, dê o petisco e deixe que ele faça algo que goste muito – cheirar uma moita, marcar com xixi, cheirar outro cão, brincar com uma pessoa. É dessa forma que nos desvencilhamos do petisco como recompensa, usando reforços ambientais (em médio prazo, ok?).
No começo, o “passeio” vai ser supercurto, pois será mais um treino do que lazer. Outras orientações muito importantes, que precisam ter em mente ao passear com um cão:
– Use as ferramentas adequadas
Muitas vezes, o treino não dá tão certo por conta das ferramentas. Minha coleira favorita é a peitoral de treino: ela controla o cão sem enforcar ou apertar, facilitando a frustração quando o peludo puxa, pois a guia prende na frente. Outra que gosto muito é o cabresto, indicada para cães fortes, que além de puxar no passeio, são agressivos – aliás, agressividade será tópico de outro artigo! AGUARDEM!
Coleiras de pescoço também podem ser boas, mas em cães que puxam muito podem machucar, costumo utilizar no caso de cães mais fracos, que cheiram o tempo todo, pois não é necessário usar muita frustração ou força. Enforcadores são polêmicos, eu prefiro evitá-los, pois as chances de machucar o cão são grandes, principalmente com pessoas inexperientes. As guias, sempre de material resistente, bem costuradas (não coladas!!), de 1m a 1,5m de comprimento.
– Preste atenção no cachorro
Passeio é um momento de conexão e diversão mútua, então, olhe para o cão, fale com ele, elogie quando ele estiver educado, leve-o para cheirar e fazer xixi sem que ele precise puxar. Muitas vezes, só isso já faz o passeio ser mil vezes melhor.
– Seja persistente e criterioso
O cão puxou a guia para chegar no poste? O passeio para e ele não consegue chegar lá. O cão está educado, andando junto? Dê alguma recompensa! TODAS AS VEZES. Se formos variáveis, o cão não entenderá exatamente o que estamos ensinando.
– Passeie todo dia
É muito difícil para o cachorro não ficar ansioso para sair se ele só passeia uma vez por semana! Então, uma das formas de acalmar o cão é criando a rotina de caminhadas diárias – e também porque assim temos condições de treinar um pouco todo dia e porque a atividade física diária é item obrigatório para o bem-estar canino.
Dá um bom trabalho, mas vale a pena! Com o treino, passear com o cão vai ficar tão prazeroso, sua relação com o peludo vai melhorar tanto, que você vai ficar tão feliz quanto o seu cachorro quando vir a coleira!
Para alguns tutores, passear com o cão chega a ser um sacrifício, principalmente, para aqueles que têm cães que puxam durante o passeio. Neste caso, a atividade se torna cansativa e a solução encontrada por algumas pessoas é deixar de passear com o cão. Essa escolha deixa o peludo mais ansioso e, quando ele voltar a passear, puxará ainda mais, já que aquela atividade já não faz parte da rotina.
O passeio pode e deve ser um momento agradável para todos. E, sim, é possível mudar esse comportamento independentemente da idade do seu cão. Hoje, o mercado pet tem uma variedade de coleiras que podem ajudar nesse treino, como mencionei acima. Induzir o cachorro utilizando um brinquedo ou um petisco, e fazer com que ele siga esse estímulo, também é uma opção para ele não puxar.
Sempre que o seu peludo estiver ao lado, fale a palavra “junto”, mas lembre de falar o comando só quando ele estiver andando corretamente. Muitas pessoas ficam falando “junto” quando o cão está lá na frente, mas eles não entendem e acham que estão agindo da forma correta.
Utilizando essas técnicas e acessórios, é possível ter um passeio agradável com o seu amigão. Se você tiver dificuldade ou dúvida, não hesite em procurar o auxílio de um profissional, e não deixe de oferecer essa importante atividade ao seu cachorro.

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